POEMA

FÁBIO BARBOSA DE OLIVEIRA

Introdução à disciplina de Estatística

Os números vamos tratar
Na estatística, não pode passar
Na Administração, vamos avançar
Para os números organizar

Os alunos assustados
Não querem participar
Desvendar os segredos
Na estatística mostrar

No início, a história contar
A linha do tempo a apresentar
Falar das descobertas
Ouvidos atentos a tudo escutar

Desenvolvimento da disciplina

Quando dos conceitos apresentar
Por onde começar?
População, variável só para começar
Alunos já estavam a reclamar

Gráficos e dados surgindo
Alguns a se encantar
Vendo um histograma
Que tal a construção mostrar?

Para os números decifrar
Um gráfico nos ajuda a enxergar
Interpretando muitos dados
O primeiro passo é organizar

Com frequências absolutas e relativas
as tabelas vamos moldar
Com calculadoras nas mãos
Os cálculos vamos praticar

Médias e medianas vamos calcular
Os alunos pasmos sem querer praticar
O professor frustrou-se e quis parar
Uma mão levantou e veio perguntar

O professor não titubeou
Correu para ajudar
Apresentou as ferramentas
E uma dúvida a tirar

Na sala, uma esperança a despertar
A luz da aprendizagem começou a brilhar
Persiste o professor, e volta a explicar
Um outro aluno a dúvida quis tirar

Forças renovadas e a mediana quis explicar
Um aluno tomou o lápis
E logo começou a anotar
O professor alegre continuou a explanar

Alguém pergunta: onde posso aplicar
O conteúdo da estatística para praticar?
Os dados da empresa vamos analisar
E a média das vendas vou encontrar

São médias, desvios, curvas a explorar
Dos muitos dados vamos navegar
Em meios a incertezas dos números
Segredos desvendar e explicar

O que se falar de possibilidades
No meio das incertezas
Dados vamos jogar
Para a probabilidade calcular

O aluno se pergunta:
Quantas cartas retirar
Para a probabilidade
De um número encontrar

Mas levo para a estatística
Uma peça defeituosa descartar
Na produção de uma peça
A probabilidade vai mostrar

De um lote uma escolha a fazer:
Devo produzir Ou mesmo desistir?
Tabelas, frequências relativas a calcular
Porcentagens calculada, a dúvida vou tirar

A escolha certa obter
Por meio de cálculos
Dúvidas não vou ter
A calculadora ajudou-me a ver


FÁBIO BARBOSA DE OLIVEIRA é graduado em Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (2003) e Mestre pela UFPI (2013). Atualmente é professor do IFPI atuando nos cursos superiores de Lic. em Matemática e Bel em Administração. E-mail: fabio.barbosa@ifpi.edu.br

IMAGENS ÁRCADES

Durante as aulas do mês outubro, ministradas pelo professor Adriano Lobão, os alunos de Agropecuária do Ensino Médio Integrado do campus José de Freitas prepararam ilustrações inspiradas nos ideais da poesia árcade. Seguem alguns dos trabalhos desenvolvidos pelos discentes.

Riquelme

 

Suely

 

Ana Francisca

 

Laiane
Francisco Gabriel
Josimara
Marcos Vítor
Laura
João Victor
Vitória

ADRIANO LOBÃO ARAGÃO é professor de língua portuguesa no IFPI José de Freitas

www.adrianolobao.com.br

 

HAIKAI

DANIEL GLAYDSON RIBEIRO

O cheiro do tempo
um quintal frutificando
lentamente, dentro

DANIEL GLAYDSON RIBEIRO acredita na beleza e na fúria das palavras. Inda mais se estas carregam a beleza e a fúria do Nordeste brasileiro num ritmo de sertão, chapada e mar. Mora entre Pio IX, terra do caju, e Cocal, terra do mel, tirando desta mistura a arte da dodiscência.

Ilustração: Marina Medeiros

ALQUIMIA

WILKER MARQUES

notável proeza
transformar dor em beleza

.

.

.

.

WILKER MARQUES é professor de Filosofia do IFPI Cocal, advogado e músico. Ele é capaz de comprar um livro só pela beleza da capa, de parar de falar para ouvir uma música, e acredita que tudo o que pode ser dito pode ser dito com beleza.

Ilustração de MARINA MEDEIROS, feita com tinta vegetal extraída de casca de barbatimão, casca de romã e semente de urucum, através de projeto de pesquisa desenvolvido no campus IFPI Cocal.

O LIVRO VAI VENCER

GEICIANE DOS SANTOS SILVA

Meu caro amigo leitor,
venho um recado lhe dar:
vou falar sobre leitura,
pois o ato de estudar
faz brotar um novo mundo
sem sair do seu lugar!

Leitura é primordial
para um bom conviver!
Expande novos olhares,
melhora nosso escrever!
Todo dia tem palavra
diferente pr’aprender!

Livros de todos os gêneros
Seja sério ou brincadeira.
Livros em todos lugares,
Até dentro da banheira!
Não importa o lugar,
Só não queime na fogueira.

Para ler não se precisa
De status social;
Seja rico ou seja pobre,
Todos podem ler igual!
O dinheiro é importante,
Mas ler que é essencial:

Os livros trazem em si
Diversão e pensamento,
Histórias tão diferentes
Que são da alma o alimento!
Seja arte ou teoria,
Lá vive o conhecimento.

Pois não existe limites
Para este povo que lê!
Livros são conhecimento,
Conhecimento é poder.
No Brasil da esperança
Hoje o livro vai vencer!

Há tanta diversidade
Pra leitura não faltar
Livros pra todos os gostos
Da poesia ao prosear
História de todo tipo
E algumas vou lhe citar

Diz uma lenda antiga
Que fala de sherazade
Bela moça que casou -se
Com rei de muita maldade
Mais que com o seu amor
Conquistou sua lealdade

Já diz Olavo Bilac
Em um de seus poemas
Que para compreender
As estrelas não há lema
Basta amar de coração
E fazer valer a pena!

Conta outra história
Do pavão misterioso
De uma máquina que voava
Com um rapaz corajoso
Que fugiu com sua amada
Filha de Conde maldoso

Essas são algumas histórias
Que eu pus a lhe citar
Más há muitos contos
Que tem a se desvendar
E Basta se permitir e
Procurar se aprofundar

Os livros trazem em si
Muito mais do que palavras
Eles trazem sentimentos
Em obras publicadas
Páginas com conhecimento
Que devem ser estudadas

 

Ilustração | Marina Brito

GEICIANE DOS SANTOS SILVA é aluna do segundo ano do curso técnico integrado em Administração do IFPI campus Cocal

 

EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

Um cordel de
DANIEL GLAYDSON RIBEIRO
Com ilustrações de
SANZIO MARDEN

Clique para baixar

DANIEL GLAYDSON RIBEIRO acredita na beleza e na fúria das palavras. Inda mais se estas carregam a beleza e a fúria do Nordeste brasileiro num ritmo de sertão, chapada e mar. Mora entre Pio IX, terra do caju, e Cocal, terra do mel, tirando desta mistura a arte da dodiscência.

SANZIO MARDEN trabalha com artes visuais, aplicativos e patrimônio histórico – monta projetos de conservação e preservação do meio ambiente histórico/cultural – já andou pelas bandas de Sobral, São Paulo e Belo Horizonte, onde atuou na arte e educação, deu cursos e oficinas de pintura/ilustração, (expõe e ilustra para adultos e crianças) – Hoje em dia atua em uma startup de saúde mental.

BITCH, CRAZY and OFFERED

ANA CLARA ARAÚJO DOS SANTOS

Entre promessas de amor
o machucado no braço
tudo é tão falso, agressores
que entregam doces e flores no 08 de março.

Sabe aqueles dias que você acha que nada vai dá certo?
Que é melhor desistir, e que não tem mais jeito?
É aí que cê tem que lutar, é aí que você tem que dá o melhor de si
Até uma hora esse desastre acabar.
Mais uma mãe perde sua filha, e ninguém vence a guerra
Lamentável história de Sofia, que estuprada na favela
Mulher é agredida na rua e pega o nome de cadela
Santa Agatha, nos proteja de todo mal formado nessa terra.

Esse papo de tapa na cara iniciou com um simples palavrão
Ela ficou indecisa naquela sua relação
Seu psicológico já estava bastante abalado
Não sabia o que mais sentia após aquela privação.
Em ver o tio se tornando vilão
vendo a criança estuprada no chão
cena de filme, não traz o trauma
daquela lembrança no seu pequeno coração.
As mulheres falam de amor
Eles entendem de dinheiro
no mundo que nós vivemos
tá difícil de acreditar
naqueles que dizem ser verdadeiro
E essa é a realidade
Esses caras que não assumem suas obrigações
Falam que não vão assumir
E “obriga a mina fazer aborto”
Pera aí, repete pra eu entender melhor
Tira o ovo da boca e o nariz do pó
Faz o que cê nos deve, assume teus B.O.
Que quando a vida cobra, baby, é bem pior.
Uma jovem decide ser mãe
Ela é julgada logo após a sociedade saber
Então, um estuprador pode ser pai?
Quando as minas vão poder viver sem sofrer?
A luz do nosso corpo é tudo
“Seja mais adequada” eles dizem
Adequadas pra eles é quando estamos seminuas,
ou sem roupa na sua cama, de quatro
e no fim de tudo, somos chamadas de “Puta, Maluca e Oferecida”
E no dia seguinte, ele nos chama pro seu quarto.

Então, vamos falar da faca
que nos ataca na madruga
dizendo que nos mata
se nós não tirarmos a blusa
Infelizmente essa é a realidade
Mesmo pedindo socorro, ele vai e nos abusa
No dia seguinte, voltamos de novo com sorriso no rosto
com sangue nos olhos, mesmo com manchas no nosso corpo
sempre vamos estar na frente, prontas pra dar o troco
Ô mulher, deixa eu te perguntar, cê sabe do poder que tem?
Ô Deus, ô lua, nos guia e nos ensine a amar
Nunca deixe-nos errar, sempre nos dando força
Pra nós nunca fraquejar.
A mão balança o berço, reza o terço faz a hora
também liga trinta vezes, caso esteja preocupada
Se tiver mal pressentimento vai te pedir pra ir embora
se precisa te buscar na rua de madrugada
Antes era cozinha, mal era alfabetizada
A liberdade a ela muito tempo foi negada.
Ó pátria amada de filhos abandonados
mulheres e mães solteiras vivendo como tem dado
Ó pátria amada, fruto praticado que quer defender o ventre, não o corpo violado
Em nome da vó e da tia
Bertha Lutz, Cleópatra, Rosa Parks, Malala, Penha e Tia Ciata
Nós somos o fruto gerado do ódio que foi projetado
pois se não fossem vocês o direito das mulheres não existia
Muitas mulheres sofrem
por ser morena e cacheada
em uma batalha de rima ela é julgada
em uma roda de capoeira pela sociedade ela é discriminada
se usa roupa curta, por onde passa será mal olhada
se usa roupa larga de sapatão ela é chamada
sendo gordinha ou magrinha sempre será falada.
Um casal brigando em público
o ditado diz pra ninguém meter a colher
mas ninguém pensa que muitas das vezes
Você pode salvar a vida de uma mulher
Deus nos fez livre demais
pra viver preso em ideologia
que divide o povo, e anda pra trás
E no final, a hipocrisia
Penelope Charmosa
matou Dick Vingarista
na cama mamichula
com um papichulo especialista
Malandras, passem bem o rímel no seu olhar
até entendo vocês odiar uma pilantra trampa no mesmo emprego que você
deve ser difícil ter de aturar uma maluca
a mesma quantia que você receber

Vocês riem do nosso corpo
vocês riem do nosso cabelo
Assim como Medusa, assim como Dandara
Já é tempo de sonhar e superar nossos pesadelos
Nossa coroa é nosso cabelo
nosso trono é onde a gente quiser
nós somos nosso próprio talismã
nunca vamos esquecer o valor de uma mulher
Só lamento todas as vezes que fiquei calada vendo destroços
a cada verso, uma lembrança que me machucou, mas me fez mais forte
Eu acredito na minha sorte, eu vejo histórias que doem na alma
a liberdade não pode deixa de ser, a maldade não vai te enxergar
A luz do seu corpo é tudo, não deixe o tempo tocar
ser mulher é como um milhão de segredos
em um mar cheio de medo, tudo é teu por merecer.

Ilustração | Diego Silva Brito

BOM PRINCÍPIO DO PIAUÍ

ADRIANO LOBÃO ARAGÃO

por estes campos de areia branca
onde meninos empinam papagaios
banhados pela linha do sol
plantaram outrora estes trilhos
da estrada de ferro central do Piauí
consumidos pelo tempo e suas marcas
agora recobertos por mato terra ruas e calçadas
entre casas com suas remotas fachadas
diante da antiga estação que ainda espalha
duas cores pela praça
enquanto meninos equilibram
outras cores pelo céu

 

 

 

ADRIANO LOBÃO ARAGÃO é professor de língua portuguesa do IFPI campus Cocal. Autor, dentre outros, de Os intrépidos andarilhos e outras margens (romance) e Os tempos e a forma (poesia reunida). O poema Bom Princípio do Piauí faz parte do livro Destinerário.

OFICINA de HAICAI

JOSÉ BRENO

Folhas de uma árvore
Caem com o vento
Pingos de chuva no chão

§

HÁVYLA LAVIGNE

Um rio
Cachoeira alta
Barulho de água corrente

§

ANTÔNIO KAUÃ

A nuvem passa
O sol se esconde
A sombra aparece

§

DANIELE

Um pássaro
Galho frágil e seco
Um voo sem medo

§

LETÍCIA

O clima mais quente
As árvores menos verdes
As águas mais sujas

Durante uma das aulas no segundo semestre de 2022, nas turmas de 2º ano dos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio do IFPI Campus Cocal, o professor Adriano Lobão ministrou uma breve oficina de introdução à poesia japonesa através do haicai. Os poemas aqui apresentados foram escritos pelos alunos, em sala de aula, durante a oficina.

Ilustração | José Breno